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sábado, 21 de março de 2009

"Tenha até pesadelos se necessário for, mas sonhe..." (Pagu)

(Pagu/Patricia Rehder Galvão- Publicado n'A Tribuna, Santos/SP, em 23/09/1962)

Pagu
(Rita Lee)

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem



Patrícia Rehder Galvão (Pagu- 1910- 1962) foi militante, escritora, fez parte do movimento antropofágico e do grupo esquerdista, ao lado de Oswald de Andrade, Geraldo Ferraz e Raul Bopp. Dedicou anos de sua vida à luta na esfera cultural e deixou para o mundo um conjunto de obras provocativas, intensas e explosivas. Acho muito digno. Excelente, aliás.