quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Em quanto


Putrefato com suas meias brancas



e seu sorriso amarelo,



fazendo coisas repetidas



uma, duas, tantas vezes ao dia



num arco perfeito



de mãos e pés



quase imperceptíveis



Quando algo em você aleija



e se arrasta tão banal



socando paixão em jaula



de querer ser



e poder ser



forma mais bela,



costura os buracos da alma



e a fenda das entranhas



que te tingem assim



de incomensurável branco



feito cal



ou pó



branco do silêncio



solidão pungente



branco do papel



tão mudo nada



Gosto da força dos guetos



da depravação colorida



do caos carnaval



do direito de chorar, de só rir



e de morrer ao meio-dia



Gosto do arroto da vida



que regurgita



assim tão brutal



feito vulcão ressonando



estourando índices



tímpanos



antes de voltar a dormir



Criança dos deuses



Em canto


Tamanha é a loucura

A voz

Que se espalha feito vento

Tropeçando nos muros

Enquanto as matilhas latem


E os gatos afiam suas unhas


Riscando lixas


Nesse grito interrupto


Que é o que aqui dentro


Brota


Da macerada espinha,


Da bílis, do encanto,


E do prazer,


do Eu



Acorda o mundo,


Algo acabou de nascer


sem carne, sem osso


Algo, como devo dizer...


Nem sei o quê


Algo que julgara morto


Inexistente


Apodrecido


Está vivo


Ofegante


Em fiapos de placenta


Respira, pequenino


É nosso mundo


Somos nós

Arrebentando em dia

Raiando


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Entre tanto


Como ardem as labaredas


Sobre o movimento das tuas falanges


Nesse roçar displicente


De antecipação resoluta


Quando estimula em mim


Pequeno Ártico


Essa vontade louca de ser


Febre virulenta


Corpo escaldado


Choque de amarelo pus


Inflamando-se em vermelho


Ferroada dos trópicos


Algo assim como vento sem rédeas


Universo sem Deus


Vadia mundana


Não há paraíso longe desse sangue


Dessa alegria incolor


Jorro prolongado


Insuportável


Tão terrível


E de razão adormecida


Ao som de blues


Por que anestesiar o pensar para sentir?


E raciocinar sem coração


Com engrenagem indolor


Vejo essas duas linhas


Como navegações de mim mesma


Extensões de meus anseios


Rudes, divididas


Vejo-as paralelas


Sem nunca se tocarem


Sol e Lua


Aqui e o não mais


Nunca sobrepondo-se


Nunca se chocando


Em colidir


doce e incerto


Você ou eu


Nunca nós


Corpo em gozo


Razão adormecida


Esquecida


Essas fronteiras


Divisórias de mim


Pequeno Ártico

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Entre nós



Amor,

bebemos tanto de nós mesmos

Que todo o resto meio que assim se tornou

Como ruídos azedos

Verdades a esmo

Em precipício da dor



Algo assim como história a narrar

Mundo capaz de a ti desdenhar

Com sentimento em cor



Tornou-se baque surdo de voz

Entrecortado por nós
Essas frases sem nós

Entre nós



Tornou-se desatino

com antes de tudo, mais tino

Sem destino

Amargarida em flor

Dois sem amor



Amor, sugamos tanto de nós mesmos


que
os
seios da
inocência
murchara
m


O que resta além de vivermos


com os sabores que azedaram


os abraços que quebra r a m


e ensejos

RAM

Ta

bro

que

sem nós mesmos


Amargavida em flOr